O forte aquecimento do mercado de trabalho no Brasil gerou um problema que há várias décadas o País não enfrentava: a alta rotatividade nas empresas e o aumento do “turnover”, sigla em inglês que significa “fim da jornada”. Em outras palavras: os brasileiros estão trocando mais de emprego e obrigando as empresas a reverem suas políticas de Recursos Humanos e gestão de pessoas.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de janeiro a junho de 2011, 25% dos trabalhadores que deixaram os empregos saíram por livre e espontânea vontade. Os pedidos de seguro-desemprego neste período caíram 10% em relação ao primeiro semestre de 2009. As áreas onde estão a maior rotatividade do mercado são justamente o comércio e as empresas de prestação de serviço, segundo o MTE.
Os motivos que levam as pessoas a trocarem de emprego, de acordo com a consultora Regina Leite, do Instituto de Desenvolvimento do Varejo Farmacêutico (IDVF), não são apenas financeiros. “É um fenômeno que atinge tanto as grandes como as microempresas. Há uma nova realidade se desenhando no mercado de trabalho brasileiro. Os trabalhadores querem aliar ganhos financeiros com saúde, qualidade de vida e reconhecimento”, avalia.
As trocas sistemáticas de empregados numa empresa geram diversos problemas não apenas administrativos, já que a contratação ou dispensa de um empregado criam custos financeiros com recolhimento de impostos, mas também de ordem operacional, já que é preciso tempo para repor o talento que foi embora, por menor que seja a função que ele exerça numa farmácia. "Para suprir necessidades urgentes, o gestor estica o cobertor de um lado, alongando a jornada da equipe que fica no estabelecimento, cortando folgas, obrigando a jornada dupla, etc. Isso gera ainda mais insatisfação entre os que ficam.
Segundo Castro, a melhor maneira de reter talentos no varejo é investindo no potencial do empregado. Ou seja, capacitando e dando oportunidade de crescimento para o colaborador. Outra coisa importante, segundo o consultor, é a questão do recrutamento, seleção e contratação.
Texto: Rodrigo Rodrigues
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